quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O CONTO DO CANTO DE UM PELE-VERMELHA

Minhas amigas e amigos, hoje, estaremos trazendo um canto poético em longos versos, de alguém tomado como incivilizado, inculto, silvícola... Mas, ouvindo-o, fico a pensar: Quem, na verdade, é quem?!

Flor silvestre...

O texto diz tudo por si mesmo. Diz aquilo que nós mesmos gostaríamos de ter dito, por perpassar também a nossa alma. Por calar fundo em nosso coração! Talvez, coração este, movido por ternos resquícios de lembranças dos tempos em que estivemos entre eles e em que fomos um deles... Fomos e somos, irmãos de coração, de sangue e de ideias...

Também nós, não saberíamos viver em um mundo no qual não existisse o coaxar dos sapos, os zumbidos dos grilos... o tamborilar da chuva... O farfalhas das folhas, acariciadas pelo vento!
Também nós, não saberíamos viver em um mundo no qual não existisse o canto dos pássaros, o rufar dos animais nas pradarias, matagais ou selvas; a melodia das águas correndo ligeiras por entre as pedras...

Não desejaríamos um mundo como Marte, ou Vênus... Talvez, por isto mesmo, o nosso Espírito tenha optado pela joia azul do Sistema Solar... que não estamos sabendo valorizar e respeitar devidamente... Uma lástima, cujo preço nos será bem caro! Disto, temos certeza!!!

garça-branca-pequena, Egretta thula (Molina, 1782). 

Bom, o texto a seguir, foi escrito por volta de 1854, e é atribuído ao cacique Seattle em resposta ao então presidente norte-americano Franklim Pierce (1804-1869), que desejava comprar as terras indígenas. Apreciem-no com vagar, pois nos traz muitas reflexões interessantes:


"O ar é precioso 
para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro: o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao seu próprio mau cheiro...

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se nós decidirmos aceitá-la, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. O que é o homem sem os animais? Se os animais se forem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, em breve acontecerá com o homem. Há uma lição em tudo. Tudo está ligado.

Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com a vida de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas: que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra acontecerá também aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Disto nós sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem é que pertence à terra. Disto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorre com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não teceu a teia da vida: ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizermos ao tecido, fará o homem a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum, é possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos (e o homem branco poderá vir a descobrir um dia): Deus é um só, qualquer que seja o nome que lhe deem. Vocês podem pensar que o possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e sua compaixão é igual para o homem branco e para o homem vermelho. A terra lhe é preciosa e ferí-la é desprezar seu Criador.

Os homens brancos também passarão; talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos. Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos das florestas densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruídas por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a água? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência.

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa ideia nos parece, um pouco estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço de terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra da floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência do meu povo.

A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho... Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados.

Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz dos meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças.

Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar para seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra tudo que necessita. A terra, para ele, não é sua irmã, mas sua inimiga, e, quando ele a conquista, extraindo dela o que deseja, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa...

Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto. Eu não sei... nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez porque o homem vermelho seja um selvagem e não compreenda. Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater de asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo.

O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta de um homem, se não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros."

- Versão encontrada no livro de Ângelo Inácio, Aruanda, e psicografado por Robson Pinheiro.



Flores, lagos e parques...




AMOR PELOS ANIMAIS E À NATUREZA, SERÁ MESMO?!




- Uma campanha pela consciência ambiental.

- Abelha procurando pólen em uma linda flor silvestre...

Amigos, hoje, em vez de agraciá-los com um legítimo causo, gostaria de concitá-los à reflexão de uma estória que acredito ser fundamental para todos nós, seres viventes que somos do mundo Terra.

Na verdade, este é um causo sério, no qual deveríamos nos debruçar para refletirmos um pouco. Refiro-me à questão supra mencionada, diante da qual, vemos a quase totalidade da humanidade (fenômeno que ocorre em todas as latitudes do globo) aprisionando animais em apartamentos, casas, gaiolas e viveiros, quer retirando-os ou estimulando a extração dos mesmos de seu habitat natural, alegando amor, carinho e mais outros tantos absurdos sem nexo. Triste, mas é a realidade!

Amor é liberdade! Quem ama de verdade não busca, em momento algum e seja sob quais alegações forem, tolher o direito de ir e vir, ou a liberdade, ou quaisquer um dos outros atributos ou condições do ser ou daquilo que se vê transformado no objeto/alvo do seu "amor".

Quem aprisiona, prende, caça os direitos inalienáveis do ser, seja ele humano, animal, vegetal ou qualquer outro, de fato: NÃO AMA!

Saí-andorinha e Canário-da-terra-verdadeiro, lado a lado. Não os vi brigando ou repudiando-se.

Na verdade e na realidade, ele busca é satisfazer suas questões pessoais, muitas vezes, doentias, distorcidas, vaidosas, financistas ou, mesmo, carenciais. Ainda mais nos dias que correm, onde temos perdido a capacidade e a competência de convivermos uns com os outros... Então, recorremos à subjugação daqueles que não possuem voz para gritar por seus direitos e nem consciência suficiente para lutarem por mudanças outras...

Por conseguinte, qualquer um que prende animais, ou os mantém sob algum tipo de cativeiro, não é ambientalista, NÃO AMA a Natureza e, muito menos, os animais. Como disse e repito: Na verdade, tais pessoas gostam mesmo é de aparecerem, são apaixonadas por suas próprias vaidades, quando não são portadoras de questões mais complexas nos campos emocionais ou psicológicos...

Um observador de aves apreciando as aves e a Natureza na Serra da Piedade.

Se você ama a Natureza e os animais, então, faça alguma coisa para auxiliar a mantê-los livres, a preservar seus habitats, a permanecerem onde nasceram: Na Natureza, lugar no qual poderão desfrutar e viverem as questões próprias de sua condição evolutiva.

Mas, diz você que gosta tanto deles, ao ponto de querer vê-los, observá-los mais proximamente... Então vá, até onde se encontrem. Leve uma máquina fotográfica, uma filmadora... um binóculo, o celular, ou nada (simplesmente: a sua pessoa), e, os apreciem ali, através da arte da observação ou das tecnologias mencionadas, nas atividades próprias à sua condição e ao seu estado. Porém, sem interferir - de modo algum - em seu ambiente ou em suas atividades!

Esforcemo-nos no exercício do respeito a todos seres viventes e seus habitats! Busquemos não retirá-los e nem alimentar os que atuem deste modo, arrancando-os de seu ambiente natural e do seu lugar de origem, apenas para termos satisfeitos as nossas carências. Lamento ter de falar assim, mas, no fundo, é a mais pura verdade!

Vamos refletir sobre as ponderações aventadas e sobre a nossa postura e a nossa conduta diante delas. É um convite que lhes faço!


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ADENDO: Quando a Terra e sua humanidade chegarem ao status de Mundo Evoluído, não existirá mais nenhum ser vivente prisioneiro, independentemente de quais sejam as alegações. Nesta era, tanto os racionais quanto os irracionais, viverão em plena e total liberdade, cada qual, desfrutando da condição própria ao estado evolutivo que se encontrarem. O único diferencial existente, será: os seres racionais respeitarão e farão de tudo para auxiliar o progresso dos irracionais; no entanto, sem interferirem, de modo destrutivo, e, sem mantê-los aprisionados ou sob quaisquer restrições, coações ou subjugações!

A humanidade terráquea, com toda certeza, chegará lá. Porém, espero, que até lá, ainda exista algum sobrevivente ou lugares onde possam desfrutar suas vidas. Porque, do jeito que estamos caminhando... destruindo tudo à nossa volta... não sei não!...

Flor silvestre...